Alckmin precisa de eleitor de Bolsonaro para ir a 2° turno

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É óbvia a estratégia eleitoral do candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin: passar ao segundo turno contra algum outro candidato tido como radical e vencer em função do voto útil.

O radical aí pode ser alguém de esquerda, como Ciro Gomes, ou de direita, como Jair Bolsonaro. Alckmin acredita que se apresentar como a “opção moderada” acabará por atrair o voto daqueles indecisos que têm medo de experiências exóticas, na economia ou noutras áreas.

Só que, em todas as pesquisas divulgadas até hoje, Alckmin jamais ficou entre os dois preferidos da população. Ao contrário, a rejeição a seu nome tem aumentado, sobretudo em função do escândalo de corrupção que cerca seu partido, o PSDB, em seu estado, São Paulo.

Delatores da Odebrecht denunciaram ter entregado, em troca do favorecimento em obras do metrô e saneamento, propinas de R$ 10,7 milhões ao caixa dois das campanhas de Alckmin em 2010 e 2014 – parte do dinheiro (R$ 2 milhões) ao cunhado dele, Adhemar Ribeiro. Alckmin nega todas as acusações.

Como resultado da investigação das obras do Rodoanel paulistano – cuja construção atravessou os governos Alckmin e José Serra –, a polícia federal mandou prender um dos principais operadores tucanos, o ex-diretor da Dersa Paulo Preto, ligado sobretudo a Serra. Ele só foi solto por ordem do ministro do Supremo GIlmar Mendes.

Será que, diante de tudo isso, Alckmin ainda tem chance? Sua campanha aposta num cenário composto pelas seguintes fases:

Até o fim de maio, ele subirá nas pesquisas no interior de São Paulo, onde tem feito campanha diuturna a prefeitos e outros setores da sociedade;

Uma alta de quatro pontos sobre Bolsonaro nessa região será suficiente para atrair o empresariado, o agronegócio e setores da centro-direita insatisfeitos com a candidatura do deputado do PSL – como DEM e partidos menores;

Quando chegar julho, ele já terá consolidado o centro, com envergadura suficiente para atrair os votos do governo federal no Nordeste;

Nesse momento, o apoio do MDB não será tão nocivo quanto agora e implicará mais votos nos Estados em que houver aliança com o PSDB.

É um cenário possível. Mas será provável? O sucesso da estratégia está sujeito a variáveis imponderáveis e torna crucial a dianteira no interior paulista, onde Bolsonaro tem conquistado eleitorados antes cativos de Alckmin: agronegócio, polícia e associações de segurança pública.

Verdade que Alckmin disporá de tempo maior na TV. Dependendo da aliança em torno dele, até mesmo do maior tempo. Também terá chance de fechar palanques estaduais robustos, caso deslanche nas pesquisas. Nessa situação, suas chances cresceriam.

Até agora, contudo, nada disso aconteceu. Cada nova pesquisa contribui para encher o reservatório de água gelada que alimenta a cachoeira despejada diariamente sobre a cabeça dos alckmistas.

Seu principal rival neste momento é Bolsonaro, com quem disputa o mesmo eleitor: o conservador, militarista, religioso e, sobretudo, antipetista. O êxito de Bolsonaro tem sido inequivocamente maior. Suas provocações conquistaram um público fiel e contribuem para a resiliência de uma candidatura que, a não ser no cenário improvável em que o nome de Lula esteja na urna, não sai do primeiro lugar.

Adversários de Bolsonaro têm razão em criticá-lo. Afirmam que sua personalidade, falta de estofo e experiência garantem que ele atingiu o teto nas preferências do eleitor – e que isso já é visível nas pesquisas.

Mas razão não vence eleições. Por despertar as emoções e instintos latentes no espírito do tempo, Bolsonaro aproveitou a oportunidade criada pelo naufrágio do PT muito melhor que seu rival histórico, o PDSB.

Numa eleição em que a vitória peessedebista seria barbada, não há sinal objetivo de que Alckmin chegará ao segundo turno. Quanto a Bolsonaro, mantida a configuração do jogo, é praticamente certo que estará lá.

Com G1

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